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Como aldeia indígena conseguiu conter o coronavírus? Com organização e conscientização, o Alto Xingu se preparou desde o início do ano

A aldeia promoveu campanha de arrecadação e se organizou para a chegada da pandemia desde o início do ano.

Ainda em março, os índios Kuikuro perceberam que a ameaça do coronavírus era real. O Alto Xingu, localizada no Mato Grosso, começou uma mobilização para se preparar preventivamente contra a pandemia, antes da explosão de casos.

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A aldeia começou campanhas de arrecadação, que contou com vaquinha pelas redes sociais e muita organização. Liderados pelo Afukaká Kuikuro, os índios improvisaram um hospital dentro da aldeia e também uma área de isolamento.

Com o dinheiro arrecadado, foram compradas macas, roupas de cama, o suporte de oxigênio foi instalado e todos os demais equipamentos considerados essenciais. Além disso, os índios também investiram em recurso profissional.

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Uma médica, três técnicos de enfermagem e um enfermeiro. Giulia Parise Balbão abriu mão de um emprego no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para se dedicar a aldeia. A médica conta que o desafio foi muito grande e continua sendo.

De acordo com informações da aldeia, são cerca de 400 habitantes no local. 57 índios testaram positivo para o coronavírus, mas a liderança acredita que pelo menos 200 pessoas tiveram a doença, mas não tiveram acesso ao teste.

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Balbão destaca que a preparação da aldeia foi decisiva para que nenhuma morte fosse registrada. Os índios não abrem mão da medicina ancestral, mas também não contrariam as indicações da médica para tratamento com os remédios da “medicina branca”.

Além disso, a educação e cultura indígena também colaborou. Diante dos riscos, as visitas a cidade foram diminuídas ao estritamente necessário.

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